Nipônia
 

09/10/06

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Qd na escola havia aprendido que havia duas escolas: a possibilista francesa e a determinista alemã, e uma das melhores definições que conheço pra elas diz que segundo o possibilismo 'a coisa nunca está tão ruim que não pode piorar mais' e segundo o determinismo 'pior do que está não fica' ... como sempre tive uma tendência ao possibilismo, fico lembrando das coisas do Japão, pra ver que a Alemanha não é tão ruim assim... poderia ser pior, eu poderia estar no Japão.

 

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Banzai; (12.9.06)

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Primeiros-Socorros; (3.1.05)

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Cinderela; (28.12.04)

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Função social da Yakuza; (04.12.04)

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Chefe (Mulheres);

 

 

Banzai:

É menino! É menino!! O Império está salvo. A casa do Crisântemo, a monarquia mais velha do mundo, com mais de 2.500 anos no trono foi salva pelo gongo. Os japoneses já estavam pensando em modificar a constituição pra permitir que uma mulher pudesse subir ao trono (apesar de em 2.500 anos 8 mulheres terem assumido o posto de regente em nome do pequeno príncipe). Tão logo soube-se que a princesa estava grávida o projeto de mudança constitucional foi engavetado. O que poderia ser apenas uma discussão de sexo dos anjos em um conto de fadas - 'a princesa pode ou não pode virar imperatriz???' - em verdade é na terra dos rituais e do caminho indireto uma freada na discussão dos direitos das mulheres.

 

Uma imperatriz, ou a simples possibilidade legal de uma mulher poder se tornar imperatriz significaria em última instância o reconhecimento da igualdade dos sexos... vamos ver mais qt tempo as mulheres nipônicas vão ter que esperar pra ter o mesmo valor de um varão!

 

As mulheres nipônicas vão ter que continuar com o business as usual, que é até uma solução mais sutil que a luta por direitos das feministas ocidentais. As nipônicas não tem o reconhecimento de legal, mas tem o poder de fato. As ocidentais conquistaram o direito de ficarem velhas, sozinhas (pois agora assustam todos os homens que chegam perto delas com um diálogo feminista), e no caso das teutãs, de serem enganadas pelos jovens marrocanos...

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Primeiros-Socorros:

Discutir sobre os procedimentos de resgate das vítimas do Tsunami asiático lembrou-me certa vez qd presenciei a um atropelamento no Japão. Cada povo tem seus rituais pra fazer as coisas e o tribalismo japonês se impregnou na forma de prestar primeiro-socorro... tudo é feito de acordo com a 'tribo', i.e. baseados em graus de relacionamento. Saia do trabalho, depois de ter trabalhado minhas 12 horas de noite (de 20 às 8) e qd virava o quarteirão um carro atropelara uma senhora que atravessava a rua de bicicleta. Voltei correndo para a guarita da fábrica e pedi pra que chamassem uma ambulância pois havia ocorrido um acidente. O segurança que me atendeu apenas me perguntava se conhecia a vítima ou se ela trabalhava na fábrica, qd respondi que não conhecia a vítima e que não sabia se ela trabalhava lá ou não, ele faz uma pergunta que me deixa estupefato: qual é a minha relação com a mulher... e vão uns bons 5 minutos no qual ele repetia as perguntas dele e ninguém chamava uma ambulância... enfim algum outro passante havia conseguido chamar uma ambulância, mas pelas flores e velas que vi no local do acidente dias depois, vi que o protocolo de primeiros-socorros japonês precisa de algumas melhorias.

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Cinderela:

Tudo é relativo, o que é aceitável pra uns é inaceitável pra outros, o terrorista de um é o freedom fighter do outro... até em sexo isto se aplica. Aparentemente as mulheres nipônicas preferem que passem a mão nelas, em um trem, do que elas gritarem e chamarem a atenção pra si, de que estão sendo bolinadas (se bem que nos meus momentos mais cínicos acredito que boa parte delas até deve estar gostando de ser bolidada, pois é como a guria carente, que está tão carente, que porrada já virou carinho, os japas são sexualmente reprimidos, e não recebem nada, é até engraçado, mas qt mais vc xinga e bate na mulher, mais ela gosta, pois isto já é alguma atenção, que é melhor que ser totalmente ignorada, por isto os japas são assíduos frequentadores de bordéis, e quem não tem cão caça com gato, as japas preferem ser bolinadas nos trens).

Tv pelo fato disto ter ficado tão notório entre os estrangeiros, o governo se viu forçado a fazer alguma coisa, afinal um japonês tem sempre que salvar a cara, e tem que tomar alguma providência, e com isto instituiram os vagões femininos, que a população apelidou de vagões-Cinderela, que na hora do Rush podem ser apenas frequentado por mulheres.

Só vou achar irônico que daqui a alguns anos o governo vai acabar com estes vagões-Cinderela, pra acabar com a pouca vergonha que vai ser a bolinação entre viados e lésbicas, eles vão preferir o mal menor a serem vistos como um paraíso homossexual.

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Função social da Yakuza

Depois do ocorrido com o meu seguro de saúde passei a entender o porque da Yakuza ainda existir e ser tão pública. A Yakuza é tão pública que eles tem até seu próprio prefixo telefônico (893, que em japonês se lê: Ya-Ku-Za). A Yakuza faz parte do bizarro contrato social japonês. Segundo Hobbes e Locke, o contrato social é uma forma de trazer ordem e dar estabilidade pra sociedade, ou pelo menos criar a estabilidade sobre o qual a sociedade pode se fundamentar. I.e. vc não toma a justiça nas próprias mãos, pois vc pode recorrer a um terceiro, a lei, na confiança que ela vai ser imparcial e vai resolver a disputa por meios civilizados: um advogado (acho que isto deve ser prova suficiente que a humanidade não evoluiu muito nos 4 mil anos de história escrita). Os únicos grupos que usam de meios violentos, e mantém a 'lei' de outra forma, são aqueles que não podem recorrer a justiça como árbitro de suas disputas (neste grupo estão os traficantes, prostituição, criminosos) - daí um dos argumentos usado por muitos pra legalização das drogas.

Voltando à Yakuza e seu papel social. Se estivesse no Japão, o meu chefe não teria feito comigo o que fez no causo seguro de saúde, ou pensaria bastante antes de fazer, pois no Japão eu não procuraria um advogado pra resolver esta pendência, usaria meios mais civilizados, chamaria a Yakuza, falaria que o chefe me deve uma grana, e que eles podiam cobrar a grana dele. A justiça Yakuza funciona da seguinte forma, ela me custa quase o mesmo que um advogado, i.e. a Yakuza vai ficar com o dinheiro, eles dão uma camassada de pau no chefe (tenho a sensação que justiça de alguma forma foi feita, e não tenho que esperar os 3 anos da via crucis jurídica), e o chefe vai se lembrar da experiência antes de tentar passar o pé em alguém de novo. Este é o corolário do contrato social hobbesiano na Terra do Sol Nascente.

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Chefe  (Mulheres)

O japonês consegue discriminar as pessoas com uma eficiência incrível. Recentemente uma japonesa que trabalhava conosco ficou grávida, e o chefe não quer mais dar trabalho pra ela, alegando que uma 'boa' mulher japonesa tem que ficar em casa e cuidar de sua saúde, e que por isto não estaria em condição de trabalhar. Muito louvável a preocupação do homem japonês com as suas mulheres, mas isto é apenas com as suas mulheres... pois não faz meio ano a gente tinha uma alemã grávida trabalhando com a gente, e não tinha problema algum. Apenas que ela não é uma 'mulher japonesa', então não precisa dos mesmos cuidados. O mesmo acontecia no Japão com as brasileiras. Por lei a mulher japonesa não pode trabalhar de noite em fábricas, pois mulher decente não trabalha de noite, mas as brasileiras podiam (premissa A: mulher decente não trabalha de noite, premissa B: brasileiras trabalham de noite, conclusão lógica: mulher brasileira não é decente, aliás se vc perguntar pra um japonês, como já fiz, o que eles acham das mulheres brasileiras, eles respondem que elas parecem p***s, ok, ok, ok... estou exagerando um pouco... o que eles de fato me falaram era que 'elas se vestem como p***s')

A eficiência do japonês em discriminar as pessoas está no fato de que conversando com as japonesas que trabalham comigo elas estavam contentes, pq recentemente  os japoneses mudaram as leis e as mulheres podem agora trabalhar de noite (mais por pressão comercial: ou eles aceitavam ter mulheres trabalhando de noite, que ganham 30% menos que homens pra fazer a mesma coisa, ou eles tem que transferir as fábricas pra China pra se manter competitivos), elas viam isto como uma conquista contra a desigualdade do tratamento da mulher no Japão, sendo que as nossas mulheres já podiam fazer isto... e pra nós não era conquista alguma... peraí... agora não estou entendendo mais o que é que eu estou querendo escrever... até aqui eles conseguem me confundir, no meu próprio site... eles tem um raciocínio e uma lógica tão tortuosa que agora nem eu sei como é que eu queria terminar este 'causo'.

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This site was last updated 08/07/06