Banzai:
É menino! É menino!! O Império está
salvo. A casa do Crisântemo, a monarquia mais velha do
mundo, com mais de 2.500 anos no trono foi salva pelo gongo.
Os japoneses já estavam pensando em modificar a constituição
pra permitir que uma mulher pudesse subir ao trono (apesar
de em 2.500 anos 8 mulheres terem assumido o posto de
regente em nome do pequeno príncipe). Tão logo soube-se que
a princesa estava grávida o projeto de mudança
constitucional foi engavetado. O que poderia ser apenas uma
discussão de sexo dos anjos em um conto de fadas - 'a
princesa pode ou não pode virar imperatriz???' - em verdade
é na terra dos rituais e do caminho indireto uma freada na
discussão dos direitos das mulheres.
Uma imperatriz, ou a simples
possibilidade legal de uma mulher poder se tornar imperatriz
significaria em última instância o reconhecimento da
igualdade dos sexos... vamos ver mais qt tempo as mulheres
nipônicas vão ter que esperar pra ter o mesmo valor de um
varão!
As mulheres nipônicas vão ter que
continuar com o business as usual, que é até uma solução
mais sutil que a luta por direitos das feministas
ocidentais. As nipônicas não tem o reconhecimento de legal,
mas tem o poder de fato. As ocidentais conquistaram o
direito de ficarem velhas, sozinhas (pois agora assustam
todos os homens que chegam perto delas com um diálogo
feminista), e no caso das teutãs, de serem enganadas pelos
jovens marrocanos...
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Primeiros-Socorros:
Discutir sobre os
procedimentos de resgate das vítimas do Tsunami asiático
lembrou-me certa vez qd presenciei a um atropelamento no
Japão. Cada povo tem seus rituais pra fazer as coisas e o
tribalismo japonês se impregnou na forma de prestar
primeiro-socorro... tudo é feito de acordo com a 'tribo',
i.e. baseados em graus de relacionamento. Saia do trabalho,
depois de ter trabalhado minhas 12 horas de noite (de 20 às
8) e qd virava o quarteirão um carro atropelara uma senhora
que atravessava a rua de bicicleta. Voltei correndo para a
guarita da fábrica e pedi pra que chamassem uma ambulância
pois havia ocorrido um acidente. O segurança que me atendeu
apenas me perguntava se conhecia a vítima ou se ela
trabalhava na fábrica, qd respondi que não conhecia a vítima
e que não sabia se ela trabalhava lá ou não, ele faz uma
pergunta que me deixa estupefato: qual é a minha relação com
a mulher... e vão uns bons 5 minutos no qual ele repetia as
perguntas dele e ninguém chamava uma ambulância... enfim
algum outro passante havia conseguido chamar uma ambulância,
mas pelas flores e velas que vi no local do acidente dias
depois, vi que o protocolo de primeiros-socorros japonês
precisa de algumas melhorias.
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Cinderela:
Tudo é relativo, o que é
aceitável pra uns é inaceitável pra outros, o terrorista de
um é o freedom fighter do outro... até em sexo isto se
aplica. Aparentemente as mulheres nipônicas preferem que
passem a mão nelas, em um trem, do que elas gritarem e
chamarem a atenção pra si, de que estão sendo bolinadas (se
bem que nos meus momentos mais cínicos acredito que boa
parte delas até deve estar gostando de ser bolidada, pois é
como a guria carente, que está tão carente, que porrada já
virou carinho, os japas são sexualmente reprimidos, e não
recebem nada, é até engraçado, mas qt mais vc xinga e bate
na mulher, mais ela gosta, pois isto já é alguma atenção,
que é melhor que ser totalmente ignorada, por isto os japas
são assíduos frequentadores de bordéis, e quem não tem cão
caça com gato, as japas preferem ser bolinadas nos trens).
Tv pelo fato disto ter
ficado tão notório entre os estrangeiros, o governo se viu
forçado a fazer alguma coisa, afinal um japonês tem sempre
que salvar a cara, e tem que tomar alguma providência, e com
isto instituiram os vagões femininos, que a população
apelidou de vagões-Cinderela, que na hora do Rush podem ser
apenas frequentado por mulheres.
Só vou achar irônico que
daqui a alguns anos o governo vai acabar com estes
vagões-Cinderela, pra acabar com a pouca vergonha que vai
ser a bolinação entre viados e lésbicas, eles vão preferir o
mal menor a serem vistos como um paraíso homossexual.
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Função social da Yakuza
Depois do ocorrido com o
meu
seguro de saúde
passei a entender o porque da Yakuza ainda existir e ser tão
pública. A Yakuza é tão pública que eles tem até seu próprio
prefixo telefônico (893, que em japonês se lê: Ya-Ku-Za). A
Yakuza faz parte do bizarro contrato social japonês. Segundo
Hobbes e Locke, o contrato social é uma forma de trazer
ordem e dar estabilidade pra sociedade, ou pelo menos criar
a estabilidade sobre o qual a sociedade pode se fundamentar.
I.e. vc não toma a justiça nas próprias mãos, pois vc pode
recorrer a um terceiro, a lei, na confiança que ela vai ser
imparcial e vai resolver a disputa por meios civilizados: um
advogado (acho que isto deve ser prova suficiente que a
humanidade não evoluiu muito nos 4 mil anos de história
escrita). Os únicos grupos que usam de meios violentos, e
mantém a 'lei' de outra forma, são aqueles que não podem
recorrer a justiça como árbitro de suas disputas (neste
grupo estão os traficantes, prostituição, criminosos) - daí
um dos argumentos usado por muitos pra legalização das
drogas.
Voltando à Yakuza e seu
papel social. Se estivesse no Japão, o meu chefe não teria
feito comigo o que fez no causo
seguro de saúde,
ou pensaria bastante antes de fazer, pois no Japão eu não
procuraria um advogado pra resolver esta pendência, usaria
meios mais civilizados, chamaria a Yakuza, falaria que o
chefe me deve uma grana, e que eles podiam cobrar a grana
dele. A justiça Yakuza funciona da seguinte forma, ela me
custa quase o mesmo que um advogado, i.e. a Yakuza vai ficar
com o dinheiro, eles dão uma camassada de pau no chefe
(tenho a sensação que justiça de alguma forma foi feita, e
não tenho que esperar os 3 anos da via crucis jurídica), e o
chefe vai se lembrar da experiência antes de tentar passar o
pé em alguém de novo. Este é o corolário do contrato social
hobbesiano na Terra do Sol Nascente.
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Chefe (Mulheres)
O japonês consegue discriminar as pessoas com uma eficiência
incrível. Recentemente uma japonesa que trabalhava conosco
ficou grávida, e o chefe não quer mais dar trabalho pra ela,
alegando que uma 'boa' mulher japonesa tem que ficar em casa
e cuidar de sua saúde, e que por isto não estaria em
condição de trabalhar. Muito louvável a preocupação do homem
japonês com as suas mulheres, mas isto é apenas com as suas
mulheres... pois não faz meio ano a gente tinha uma alemã
grávida trabalhando com a gente, e não tinha problema algum.
Apenas que ela não é uma 'mulher japonesa', então não
precisa dos mesmos cuidados. O mesmo acontecia no Japão com
as brasileiras. Por lei a mulher japonesa não pode trabalhar
de noite em fábricas, pois mulher decente não trabalha de
noite, mas as brasileiras podiam (premissa A: mulher decente
não trabalha de noite, premissa B: brasileiras trabalham de
noite, conclusão lógica: mulher brasileira não é decente,
aliás se vc perguntar pra um japonês, como já fiz, o que
eles acham das mulheres brasileiras, eles respondem que elas
parecem p***s, ok, ok, ok... estou exagerando um pouco... o
que eles de fato me falaram era que 'elas se vestem como
p***s')
A
eficiência do japonês em discriminar as pessoas está no fato
de que conversando com as japonesas que trabalham comigo
elas estavam contentes, pq recentemente os japoneses
mudaram as leis e as mulheres podem agora trabalhar de noite
(mais por pressão comercial:
ou eles aceitavam ter mulheres trabalhando de noite, que
ganham 30% menos que homens pra fazer a mesma coisa, ou eles
tem que transferir as fábricas pra China pra se manter
competitivos), elas viam isto como uma conquista contra a
desigualdade do tratamento da mulher no Japão, sendo que as
nossas mulheres já podiam fazer isto... e pra nós não era
conquista alguma... peraí... agora não estou entendendo mais
o que é que eu estou querendo escrever... até aqui eles
conseguem me confundir, no meu próprio site... eles tem um
raciocínio e uma lógica tão tortuosa que agora nem eu sei
como é que eu queria terminar este 'causo'.
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