Teoria das Coisas

03/04/07

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Uma tentativa de dar sentido as coisas. Opiniões bem pessoais com praticamente nenhum embasamento científico, coisas que como dizem os tedescos, tirei 'vom Bauch'. Particularmente este é o único lugar em que posso escrever estas coisas, pois até agora o Journal for Applied Psycology não respondeu aos meus e-mails.

Os únicos guias que tenho é uma crença no darwinismo (se o Prof. Marco Aurélio me visse agora... passei de lamarckista para darwinista, praticamente no mesmo período que abandonei as crenças comunistas e passei para o capitalismo). O que o darwinismo e o capitalismo tem em comum é que ambos tem sistemas de correção inerentes ao sistema, enquanto existem gaps que o lamarckismo não consegue explicar, e o comunismo confia que o homem vai fazer o que é certo e que não vai querer abusar do sistema.

bulletProteção de Mercado (28.12.04)
bulletEgocentrismo X Coletivismo
bulletInventividade nipônica
bulletComida

 

Proteção de Mercado

Uma tendência natural... todo mundo quer defender o que é seu, uns fazem isto de forma explícita, outros de forma implícita, mas todos fazem. O protecionismo acompanha o Brasil desde a sua descoberta, qd se podia apenas comprar produtos oriundos da metrópole (e posteriormente dos ingleses, que eram os chefes da metrópole). A Monarquia se vai, mas o hábito continuou, apenas que trocamos por senhores que ficavam do outro lado do Atlântico por uma elite local (que por sua vez continuava sendo controlada por uma elite alheia a nós, seja diretamente, por imposições que nos faziam, seja indiretamente, através de modismos e influências que aceitávamos passivamente).

Japoneses e alemães tb fazem protecionismo, e as origens devem ser semelhantes, como o próprio nome diz: Protecionismo, proteção, eles querem se proteger, fechar os mercados para estrangeiros. O que é curioso é a forma como fazem. Os japoneses explicitamente criam formas implícitas de proteger o mercado, criam uma série de critérios pra aceitação deste ou daquele produto que acabam fechando o mercado pros produtos estrangeiros, pois curiosamente apenas os produtos estrangeiros não seguem esta ou aquele standard que o governo definiu, e é claro, como o governo apenas governa, e não entende nada de produtos, ele tem que perguntar pras empresas sobre como os produtos tem que ser feitos. Os alemães implicitamente criam um aparato burocrático que explicitamente fecha o mercado pros estrangeiros, eles pedem documentos e certificações que existem apenas na Alemanha, e que apenas um alemão deve ter.

I.e. os japas criam uma critérios e condições que apenas os produtos nacionais tem, enquanto que os alemães por terem um sistema complexo, apenas tem que exigir que os outros sigam estas especificações, que já são sui generis.

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Egocentrismo X Coletivismo

É notadamente sabido, pelo menos para os alemães, que estes são bem egocêntricos enquanto que os japoneses são bem coletivistas. A minha explicação para este fenômeno é que japas e alencares (como o pessoal da Audi no Brasil chama eles, alencar = alemão do caralho) foram bem treinados pela mãe-natureza, como bons cachorrinhos pavlovianos.

 

Japão e Alemanha são muito parecidos no clima (no tocante a terem estações bem definidas, fazer muito frio no inverno e terem uma certa escassez de recursos naturais - ao menos se comparados ao Brasil), entretanto os japas tem terremotos (em média 1000 por ano, i.e. 3 diariamente) e tufões e estas calamidades fazem com que seja indispensável aos japoneses trabalharem coletivamente, pois se eles não colherem a única safra que eles podem ter no ano, e não estocarem a comida, então a vila inteira vai morrer de fome no inverno. Ou se um terremoto, maremoto ou tufão destruir a minha casa, vai ter provavelmente destruído outras casas tb, então se trabalharmos coletivamente pra reconstruir as coisas, então tudo vai estar em ordem muito mais rapidamente e eles não vão morrer de frio, fome ou doença... a mãe natureza treinou-os a trabalharem juntos, pois os que não fizeram isto, darwinisticamente falando, morreram de frio, fome ou doença. 

 

Já os alemães tem apenas que lidar com a escassez de recursos, mas não tem terremotos, maremotos ou outras calamidades que os obriguem a trabalhar juntos, então cada um procurou conseguir o máximo de comida pra si, ou sua família e defender isto de terceiros. Até poder-se-ía conseguir mais com o trabalho coletivo, mas é difícil conseguir fazer eles trabalhar coletivamente, e como cada bárbaro teutônico conseguia comida suficiente, eles nunca tiveram necessidade de desenvolver um senso coletivo.

 

Depois de mais de 10.000 anos sendo treinados pela mãe-natureza a gente vê os asiáticos como mais coletivistas (chuvas de monções, terremotos, maremotos, vulcões) e os europeus mais pro norte, como os alemães, ficaram mais individualistas, pois eles tinham que defender os escassos recursos que tinham. Os europeus mediterrâneos, dada a amenidade do clima são mais alegres, generosos e relaxados. Darwin explica.

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Inventividade nipônica

Falando em ser treinado pela mãe-natureza. O hábito dos japas de ficar sempre tentando aperfeiçoar as coisas (better, cheaper, smaller) tb é fruto desta doutrinação. Se vc tem a tua casa destruída por um terremoto, e vai ter que reconstruir, e se vc não gostava da cor da parede, então pq vc vai pintar a casa da mesma cor? Não, vc vai pintar ela de uma outra cor, colocar a porta um pouco mais a direita, ou fazer ela mais larga ou estreita por causa desta ou daquela necessidade... Darwin explica.

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Comida

Brasileiros, alemães e japoneses devido a abundância ou falta de comida desenvolveram formas diferentes de lidar com a comida. Os brasileiros com a sua fartura tropical não se importam muito em desperdiçar comida, apesar da insistência de nossas mães a respeito da fome das crianças etíopes.

 

Os rituais nipônicos desenvolveram uma etiqueta e rituais sofisticados pra lidar com a escassez de comida, eles porcionam a comida em porções individuais, utilizando suas tigelas de porcelana, e fizeram de uma necessidade uma virtude: não basta ser gostoso, tem que ser bonito. Uma forma de fazer uma refeição especial, com os escassos recursos disponíveis não é usar ingredientes caros, mas colocar muito trabalho na comida. Sushi não é caro pq os ingredientes são caros, mas sim porque dá muito trabalho.

 

Os alemães por serem individualistas não se dão ao trabalho de criar rituais sofisticados, pois eles não tem com quem compartilhar, eles são individualistas, se esqueceram? Para os alemães basta vc dizer que não gosta, ou que não quer comer, eles aceitam isto sem encarar como uma ofensa aos dotes culinários da cozinheira. Esta é a solução alemã pro problema da falta de comida.

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